SOCORRO! MEU NOTEBOOK FOI ROUBADO!

Com o preço dos equipamentos em queda, a máquina nem é o mais importante. Mas o desaparecimento de informações sigilosas, documentos de trabalho ou fotos de família pode tornar a perda irreparável



Ladrões de equipamentos e até mesmo de informações sigilosas (potencialmente lucrativas) andam tão satisfeitos quanto os cidadãos de bem com a recente popularização dos notebooks no Brasil. Basta identificar uma mochila de nylon em um café ou à espera do sinal verde no cruzamento para obter um bom dinheiro como resultado do furto de um computador portátil. O pior é que o preço do hardware, que caiu nos últimos anos, nem sempre é o mais precioso. Fotos, senhas bancárias, documentos profissionais e empresariais circulam, muitas vezes sem proteção, pelas vias de grandes cidades.



O fotógrafo Nani Góis conhece muito bem esse drama. Há dois anos, ele teve seu notebook furtado no Centro de Curitiba, quando ia visitar a filha e o neto recém-nascido. O computador estava no porta-malas do carro, um lugar que Nani acreditava ser seguro, já que não havia nada à vista de quem passasse pela rua. O problema é que os ladrões entraram justamente pelo porta-malas. Mais tarde ele veio a saber que, naquela vizinhança, era comum o arrombamento de carros para levar o pneu estepe – o dele, aliás, também foi levado.



Sem backup



Muito mais traumático do que a perda do aparelho – que era dos mais caros, coisa de R$ 8 mil em preços da época, presente de uma das filhas – foi ficar sem o conteúdo do disco rígido. “Tinha entre 3 e 4 mil fotos minhas guardadas naquele computador”, conta. A imensa maioria delas não tinha cópias. “Eu estava fazendo o backup delas, e alguns DVDs com cópias das fotos também foram levados.” Ou seja, o estrago foi geral. “E o pior é que os caras vão vender isso por um preço de banana. Não têm nem ideia do que estão levando, que é o resultado de anos de trabalho”, desabafa Nani.

Nos EUA, um roubo a cada 50 segundos



No Brasil não existem dados de furtos compilados, mas nos EUA, segundo o Instituto Ponemon, a cada 50 segundos um laptop desaparece das vistas de seu dono nos aeroportos norte-americanos. Os prejuízos com a perda de dados importantes ou confidenciais ultrapassam os US$ 350 mil, segundo o Instituto de Segurança Computacional.


Tanto lá quanto aqui, os fóruns de discussão de viajantes são ricos em descrições de furtos de máquinas em aeroportos e até nos saguões de hotéis. A antiga dica de substituir a maleta de couro pela mochila não funciona mais, porque os ladrões sabem muito bem reconhecer o tipo de de mochila que pode conter um computador.


A boa notícia é que já é possível proteger-se tanto da subtração do hardware como dos dados armazenados, graças à evolução das tecnologias de segurança. Já há leitores biométricos, softwares de criptografia e até rastreamento. As precauções são úteis tanto àqueles que transitam com seus notebooks quanto para máquinas deixadas em casa.


Muitas dessas alternativas foram desenvolvidas inicialmente para aplicações corporativas, mas rapidamente estão se tornando disponíveis para usuários domésticos porque a percepção de risco em relação à perda de dados tem crescido dia a dia. É o caso da tecnologia vPro, presente nas últimas linhas de processadores Intel. Ela equipa as máquinas com uma infinidade de recursos para gerenciamento remoto – desde a instalação pré-agendada de softwares a partir de um servidor até o travamento da inicialização do sistema operacional.


Desconfiado, Nani Góis duvida da eficiência dessas ferramentas todas. “O malandro tem uma capacidade danada de se renovar”, observa. “Uma hora a máquina roubada acaba chegando em alguém com capacidade de resolver esses problemas e ele quebra todos esses bloqueios.”

Popularização do rastreamento inibe criminosos



Enfrentar o ambiente de uma delegacia e registrar um boletim de ocorrência não consta na lista das dez atividades mais prazerosas de ninguém. Que tal, então, deixar esse trabalho nas mãos de uma empresa por meros R$ 90 ao ano? É essa a proposta dos serviços de rastreamento de notebooks, que podem depender exclusivamente de programas ou se apoiar em sistemas sofisticados que mesclam bloqueios de hardware e software.


“Além de proteger os dados em um notebook, esses sistemas inibem os roubos”, afirma Edison Rodrigues, executivo da Intel. “Sabendo da existência de meios para o bloqueio e rastreamento é menos provável que um ladrão se arrisque a pegar uma máquina, já que ela lhe seria inútil.”


Os serviços dependentes exclusivamente de softwares funcionam da seguinte maneira: assim que uma máquina reportada ao fabricante como roubada se conectar à internet um alerta será emitido e permitirá a identificação do número IP da conexão (uma espécie de endereço da internet). Com essa identificação única, a fabricante contactará as autoridades e, uma localizado o endereço físico e real da conexão, a polícia poderá se encarregar da apreensão.


Parece improvável? Não é realmente uma tarefas das mais simples determinar a localização geográfica de um IP, já que cada uma das identificações pertencentes a um provedor de internet costuma ser atribuída aleatoriamente ao usuário a cada conexão. Mas dados da empresa de rastreamento e proteção antifurto de notebooks norte-americana Adeona impressionam: 3 em cada 4 computadores (75%) equipados com a solução e declarados roubados são recuperados. Além disso, já há versões que suportam GPS, queimando etapas na geolocalização.

Programa nacional custa R$ 90 por ano



Há tanto opções gratuitas como pagas para o rastreamento de notebooks. A maior diferença entre os serviços está no suporte oferecido caso o pior aconteça. Ao escolher uma solução gratuita, você terá acesso apenas ao número de IP da conexão e terá que contactar sozinho as autoridades policiais.


Com o Notebook Guardian, software 100% nacional da empresa Notepolice, as suas chances de sucesso na recuperação do computador pela descoberta do número IP aumentam. “Temos bons contatos com as autoridades em todos os Estados, já que é do interesse delas também recuperar notebooks roubados”, conta Alexandre Zanolla, diretor técnico da Notepolice.

A instalação do programa é extremamente intuitiva, basta seguir os passos do assistente. A licença do software já usado em 1.500 laptops no País custa R$ 90 ao ano.



À prova de furto



São a alternativa mais simples para proteger seu laptop. Crie uma senha para cada um dos usuários. Ela será pedida toda vez que o sistema operacional carregar e novamente quando o computador entrar em modo de hibernação ou espera. Para configurar essa senha de logon no Windows Vista ou XP, vá em Painel de Controle e, depois, em Controle de Contas de Usuário. Clique em “Criar senha para este usuário”. Digite a senha duas vezes e uma frase que o ajude a lembrar do código. Após preencher os campos, basta clicar em OK. Ao reiniciar a máquina, a senha será pedida.



Senhas em pastas e arquivos



Se você acha incômodo ter de digitar uma senha toda vez que ligar a máquina, pode optar por proteger apenas as pastas que contenham arquivos mais sigilosos. Crie ou separe uma pasta – como a Meus Documentos, por exemplo – para guardar arquivos sensíveis como relatórios profissionais, fotografias mais pessoais que não devem cair na rede ou mesmo senhas de bancos. Em seguida, se utilizar o Windows XP ou o Vista, baixe e instale o WinSesame (www.aragonsoft.com). O programa criará uma espécie de porta com tranca ao redor da pasta escolhida. Funciona assim: clique sobre o que deve ser protegido com o botão direito do mouse e escolha no menu a opção Lock (trancar). Informe uma senha e confirme. A pasta “trancada” ganhará o ícone de um cadeado. Caso queira ver ou editar seu conteúdo, deverá digitar a senha. Ao fazer isso, abrirá a porta e precisará repetir a operação de trancamento quando tiver concluído as alterações. Outra opção é a criação de arquivos compactados (.zip) com senha para assegurar a confidencialidade dos dados.



Criptografia



Tanto o Windows Seven como o Windows Vista trazem embutidos um algoritmo para criptografar arquivos. Soa complicado, mas essas palavrinhas significam apenas “regras” e “embaralhamento”. Ou seja, sem nenhum custo extra é possível garantir que os seus arquivos sejam apenas vistos e alterados por você, mesmo que alguém roube a sua máquina e consiga porventura (e com paciência, já que senhas de 8 a 12 caracteres demoram meses ou anos até serem quebradas por softwares que testam todas as combinações) destruir a sua senha de logon. Basta clicar com o botão direito do mouse sobre a pasta considerada sensível e, na janela aberta, selecione o botão Avançado. Depois, marque a caixa Criptografar conteúdo para maior segurança. O chamado Sistema de Criptografia de Arquivos (Encrypting File System ou EFS) está disponível nas versões Business, Ultimate e Enterprise do Windows XP , Vista e Seven.



Backup



Os backups garantem que seus dados possam ser recuperados, seja no caso da perda definitiva do notebook ou o esquecimento de senhas. O ideal é que os dados sejam periodicamente copiados em pelo menos dois lugares diferentes. A redundância garante que, caso exista um acidente - incêndio, furto ou dano por erro de gravação - com um dos backups, ainda haja chance de recuperação dos dados. É preciso tratar dos backups com o mesmo cuidado destinado aos arquivos originais e até, no caso de dados vitais, guardá-los fisicamente em um cofre.


Fonte: Jornal Gazeta do Povo

 




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